Quando
criança, Antônio Martinelli Munhoz costumava contemplar o céu da cidade paulistana
de Itu, onde morava, com um tubo feito de papelão, sem lentes, que tinha apenas
a função de proteger o olho das luzes, permitindo uma observação melhor. "Foi
assim que começou o sonho de ter um telescópio" conta ele. Mas, como esses
equipamentos eram sempre importados e muitos caros, Munhoz decidiu construir,
ele próprio, seu primeiro telescópio. Isso foi à cerca de vinte anos. De lá
pra cá, ele já construiu algumas dezenas e vem aperfeiçoando sua técnica em
busca de um equipamento melhor e "de acordo com o poder aquisitivo do brasileiro".
Munhoz trabalha em sua marmoraria, no Jardim Marina, bairro da Zona Leste de São
Paulo. Hoje, é considerado um dos melhores fabricantes de telescópios do país.
Chegou a um modelo refletor, com espelho de 15 cm de diâmetro, dotado de filtro
solar e duas oculares - uma que proporciona aumento de 40 e a outra de 200
vezes. O corpo do telescópio, de tubo de PVC, e o tripé de madeira também são
feitos por ele. O custo final
equivale a US$390.
O esforço solitário de construtores assim, que aprenderam sozinhos, não deixa de ter o reconhecimento de cientistas capacitados e rigorosos. "Os artesãos brasileiros dominam perfeitamente a tecnologia de telescópios de pequeno porte", avaliza o astrônomo Amâncio Friaça, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Friaça aconselha os amadores a comprar seus aparelhos de construtores como Munhoz - ou então aprender a fazê-los. (Matéria da revista Globo Ciência - Ano 1 - Set/91)