O Sol é o único corpo do Sistema Solar que emite luz. Os outros corpos - planetas, a Lua e os outros satélites naturais, os asteróides, etc - são apenas iluminados e só podemos vê-los por que refletem a luz solar.
Por serem corpos opacos, produzem sombras no espaço da mesma forma que as pessoas o fazem, ao caminhar pela rua, expostas ao Sol. Quando a sombra passa sobre o chão ou algum objeto, estes estão sendo eclipsados. Aqui na Terra, vemos as sombras todo o tempo (sempre que há algo para ser eclipsado), mas no espaço, a sombra só é percebida (da mesma forma) quando um corpo não luminoso a atravessa. Podem ocorrer, então, eclipses solares, como quando a Terra passa pela sombra da Lua, ou eclipses lunares, quando a Lua cruza a sombra da Terra.
Corpos como a Lua e a Terra podem projetar dois tipos de sombra, a umbra e a penumbra (figura à esquerda). As duas tem forma cônica e partem das bordas desses corpos, a penumbra alargando-se e a umbra estreitando-se para o centro. A região de penumbra recebe luz de várias partes do sol, por isso ela não escurece totalmente o corpo eclipsado. Já a umbra é uma região onde a luz foi totalmente (ou quase totalmente) obstruída.
Quando a Lua entra na penumbra da Terra, a mudança é imperceptível a olho nu. É o chamado eclipse penumbral. O eclipse lunar só e notado quando a Lua penetra na umbra. A Lua só não escurece totalmente, por que a atmosfera terrestre desvia parte da luz solar para a superfície da Lua, deixando-a avermelhada. Quanto mais suja estiver a atmosfera da Terra, mais avermelhada a Lua parecerá.
Eclipses da Lua - como o do próximo dia 20 de fevereiro - ocorrem sempre na fase de Lua cheia e podem ser observados por toda a região da Terra onde a Lua estiver visível, acima do horizonte, ou seja, mais da metade do planeta.
Isso ocorre por que a sombra que a Terra projeta é cerca de 3,5 vezes maior que o diâmetro da Lua e esta pode entrar totalmente na sombra do nosso planeta. A sombra tem formato cônico e os tamanhos relativos sombra-Lua dependem da distância Terra-Lua.
O estudo dos eclipses têm sido muito importantes para a Ciência. Foram um dos primeiros mecanismos celestes compreendidos pelos povos primitivos.
Já no século V a.C. percebeu-se o perfil circular da sombra da Terra projetado sobre a Lua. O que indicaria que a Terra seria redonda. A regularidade dos eclipse permitiu que se pudessem prevê-los.
Também através dos eclipses, pôde-se calcular o tamanho e distância da Lua. No século III a.C., Aristarco de Samos propôs um método para o cálculo do tamanho real da Lua. No mesmo século, Eratóstenes calculou o diâmetro da Terra, o que possibilitou, no século II a.C., que Hiparco de Nicéa determinasse um valor muito próximo do conhecido atualmente para as dimensões da Lua e de sua distância à Terra.
Várias outras descobertas foram feitas através dos eclipses. Por exemplo, algumas características do Sol como a cromosfera, as protuberâncias e a coroa. Tudo isso, graças à luz do Sol incidindo na Terra e sendo eclipsada por ela.
A Lua estará em Leão, "ao lado" de Saturno
e Regulus ( Alfa Leo ). Uma bela composição para fotografias!
No inico da fase total, a Lua estará passando pelo meridiano, acima do horizonte
Norte.

Inicio da totalidade.
(Imagens: Carte du Ciel)

Mapa de visibilidade do eclipse
Dados do Eclipse de 20 de Fevereiro de 2008
| EVENTO | DATA/HORA LOCAL* | TU | DURAÇÃO | |
| Eclipse | 3h26m | |||
| P1 | Inicio da fase penumbral | 20/02/2008 21h39m | 21/02/2008 00:36:35 | |
| U1 | Inicio da fase parcial | 20/02/2008 22h44m | 21/02/2008 01:43:19 | |
| U2 | Inicio da fase de totalidade | 21/02/2008 00h06m | 21/02/2008 03:01:10 | |
| Totalidade ( meio ) | 21/02/2008 00h26m | 21/02/2008 03:26:05 | 25m | |
| U3 | Fim da fase de totalidade | 21/02/2008 00h43m | 21/02/2008 03:50:57 | |
| U4 | Fim da fase parcial | 21/02/2008 02h06m | 21/02/2008 05:08:47 | |
| P4 | Fim da fase penumbral | 21/02/2008 03h12m | 21/02/2008 06:15:39 | |
| Fase penumbral | 103m |
(*) HORÁRIO LOCAL para a
Sumaré-SP - Lat: 22:48:56 S Long: 47:37:47 W - Greenwich -3
Horários calculados a partir do programa Cartes du Ciel (
www.astrosurf.com/astropc )
A coluna da esquerda indica os instantes de contato entre a Lua e a sombra da Terra, como visto na figura abaixo:
P1 - Instante do primeiro contato da Lua com a
borda da Penumbra ( Inicio da fase penumbral e do Eclipse)
P4 - Instante do último contato da Lua com a borda da Penumbra (Fim
da fase penumbral e do Eclipse)
U1 -Instante do primeiro contato da
Lua com a borda com a exterior da Umbra (Inicio da fase umbral e totalidade)
U2 - Instante do primeiro contato da Lua com a borda interior da Umbra .
U3 - Instante do último contato da Lua com a borda interior da Umbra.
U4 - Instante do último contato da Lua com a borda com a exterior da
Umbra. (Fim da fase umbral e totalidade)
Próximos eclipses
Annular Solar Eclipse: 2008 February 07
Total Lunar Eclipse: 2008 Feb 21
Total Solar Eclipse of 2008 Aug 01
Partial Lunar Eclipse: 2008 August 16
Total Solar Eclipse of 2009 Jul 22
Total Solar Eclipse of 2010 Jul 11
O diagrama acima mostra que a borda norte (topo) da Lua irá mergulhar muito mais profundamente na sombra da Terra que a borda sul (embaixo). Considerando que a sombra da Terra é mais escura no centro do que na borda, a aparência da Lua irá provavelmente mudar drasticamente com o tempo. Uma grande variação no "brilho da sombra" (!!?) pode ser esperada, e os observadores são encorajados a estimar o valor Danjon em momentos diferentes durante totalidade (Danjon Brightness Scale). Note que pode também ser necessário atribuir Danjon valores diferentes para diferentes partes da Lua em momentos diferentes.
Esta poderia ser uma excelente oportunidade para quem gosta, astrônomos e estudantes, para testar as suas habilidades de observação. Tente gravar suas estimativas brilho da Lua, a cada dez minutos, durante a totalidade utilizando a Escala Danjon.
Compare seus resultados com os seus colegas e descubra como a aparência da Lua muda durante o eclipse total. O brilho da Lua, totalmente eclipsada, é muito sensível à presença de poeira vulcânica na atmosfera da Terra. Como parte de um projeto de investigação contínua, Dr. Richard Keen foi usando relatórios dos brilhos de eclipses lunares para calcular a história da espessuras ópticas de camadas de poeira vulcânica. Se você quiser ajudar o Dr. Keen, fazendo observações do eclipse, entre em contato, Richard.Keen@Colorado.EDU .
A quantidade de poeira e dióxido de enxofre na atmosfera da Terra também tem um efeito sobre o diâmetro da sombra umbral. Astrônomos amadores, com telescópios, podem marcar os instantes em que algumas das grandes crateras da Lua entram ou saem da umbra. Tais observações são úteis na determinação do alargamento da sombra da Terra. Uma tabela de previsão das crateras identifica vinte crateras bem definidas, utilizadas para este fim. Para mais informações, consulte: Crater Timings During Lunar Eclipses.
Um eclipse da Lua também apresenta-se tentadora à fotografia. Mas, como ela aparece bastante reduzida no céu, você precisará de uma poderosa lente teleobjetiva (400 mm de distância focal, ou mais), ou mesmo um pequeno telescópio para anexar à sua câmera. Um típico ISO 400 (seja digital ou filme), é uma boa escolha. Para obter mais informações sobreequipamentos, cinema, exposições e outras dicas recomendado, ver fotografia de eclipse lunar.
Ao contrário dos eclipses solares, os lunares são totalmente seguros. Não são necessários filtros e, nem mesmo, um telescópio. Um eclipse lunar pode ser observado a olho nu. No entanto, um par de binóculos irá ampliar a visão e fazer a coloração vermelha brilhante mais fácil de se ver. Uma binóculo comum, 7x35 ou 7x50 é suficiente.
Durante o eclipse, a Lua estará em Leão. Saturno e a brilhante estrela Regulus estarão ã apenas 3 graus a leste e oeste, respectivamente, da lua. Geminii, Orion, Taurus, Ursa Majoris e outras constelações de verão, vão ocupar o céu norte e oeste para observadores do Brasil.
Embora os eclipses totais da Lua sejam de limitado valor científico, são eventos extraordinariamente belos que não exigem equipamentos caros. Eles ajudam a cultivar o interesse na ciência e astronomia em crianças e proporcionar uma oportunidade única de aprendizagem para as famílias, estudantes e professores. Para os amantes da natureza, o eclipse lunar pode ser apreciado e celebrado como um evento que ilustra claramente a nossa posição entre os planetas do sistema solar. A realidade tridimensional do nosso universo ganha vida em um gracioso ballet celestial com a Lua oscilando através da sombra da Terra.
Esperança de céu claro!!!
"Eclipse Predictions by Fred Espenak, NASA's GSFC"