AS CORES DAS ESTRELAS
Quem observar as estrelas com atenção, mesmo a olho nu, perceberá que elas apresentam colorações diferentes. Algumas são nitidamente avermelhadas, outras azuladas, outras esbranquiçadas. Com binóculos e telescópios nota-se também e com maior detalhe as diferentes cores das estrelas.
![]()
Quem, por exemplo, olhar para o céu e encontrar as Três Marias (à esquerda) notará “abaixo” (ao norte) delas uma brilhante estrela de cor avermelhada, chamada Betelgeuse. Ela faz parte, juntamente com as Três Marias, da constelação de Orion, o gigante caçador, que simboliza as noites de verão para o hemisfério terrestre sul. Do lado oposto observa-se a brilhante estrela Rigel, de coloração azulada. À esquerda ( a oeste ) do alinhamento das Três Marias destaca-se Aldebaran, outra brilhante estrela avermelhada, da constelação de Touro.
No início das noites de inverno e começo da primavera outra brilhante estrela avermelhada pode ser observada no início das noites: Antares, a mais brilhante da constelação símbolo do inverno, o Escorpião. Também durante o inverno pode-se observar, bem alto no céu logo ao anoitecer, um interessante aglomerado de estrelas presente na constelação do Cruzeiro do Sul. Através de telescópios nota-se que este aglomerado é formado por estrelas de várias cores. por isto mesmo é denominado “Caixinha de Jóias”.
Por que as estrelas apresentam diferentes colorações? A razão foi descoberta principalmente a partir do final do século XIX e início do séc. XX, quando pela primeira vez tornou-se possível determinar a temperatura superficial das estrelas. Verificou-se que, dentre as estrelas mais comuns, as de coloração avermelhada são as de mais baixa temperatura “superficial”, da ordem de 3.000 graus Celsius acima de zero. Já o Sol, estrela amarelada, possui uma temperatura superficial de aproximadamente 5700 graus Celsius acima de zero. As estrelas brancas têm temperaturas próximas a 11.000 graus Celsius e as azuladas em torno de 25.000 graus Celsius acima de zero.No interior das estrelas as temperaturas alcançam valores de milhões a bilhões de graus acima de zero. Isto se deve ao fato de que ali se processam reações termonucleares, semelhantes às explosões de bombas de hidrogênio. A energia liberada é transmitida por vários processos do interior para as superfícies estelares. Dependendo de sua constituição química, massa e tamanho o calor liberado propicia as temperaturas e as diferentes cores que se observam com as estrelas. Ao longo do processo evolutivo de cada uma delas suas cores e temperaturas vão se alterando, com o decorrer de milhões a bilhões de anos. O Sol, por exemplo, será no futuro um estrela avermelhada para, posteriormente transformar-se numa estrela branca até desaparecer com uma anã negra. Mas isto somente daqui a seis, sete bilhões de anos ...
Além de diferentes temperaturas e cores as estrelas têm diferentes tamanhos. Usualmente toma-se como comparação o tamanho do Sol, que possui um diâmetro de aproximadamente 1.400.000 km, equivalente a 109 vezes o diâmetro da Terra. Isto significa que, em volume, o Sol é cerca de 1 milhão e trezentos mil vezes mais volumoso que a Terra.Atualmente são conhecidas estrelas de dimensões muito pequenas, como é o caso das estrelas de nêutrons que podem ter cerca de 10 km de diâmetro, sendo portanto insignificantes do ponto de vista de seu tamanho comparado ao tamanho do Sol. Há estrelas maiores que as estrelas de nêutrons mas ainda muito pequenas comparadas ao Sol. Por exemplo as chamadas “anãs brancas”, cujo tamanho é muito próximo ou igual ao tamanho da Terra.
Há também estrelas de muito maiores dimensões que o Sol. É o caso de Aldebaran, uma brilhante estrela de coloração avermelhada, observada na constelação do Touro. Seu diâmetro é cerca de 40 vezes o diâmetro do Sol ou 64.000 vezes o seu volume. Estrelas com tal tamanho são chamadas de estrelas gigantes. Isto porque existem estrelas ainda maiores, chamadas de supergigantes, tal é seu tamanho.
Um bom exemplo de estrela supergigante é a estrela Antares, a mais brilhante (também avermelhada) da constelação do Escorpião. Seu diâmetro é cerca de 400 o diâmetro solar e seu volume é aproximadamente 64 milhões de vezes o do Sol. Para se ter idéia do tamanho desta estrela, imaginemos que ela fosse colocada no local onde está o Sol, no centro do Sistema Solar. Caso isto acontecesse sua superfície (gasosa) ultrapassaria a órbita do planeta Marte. Ou seja, ela é tão grande que englobaria o Sol, e as órbitas de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Nós simplesmente não mais existiríamos e passaríamos a ser parte daquela estrela. E existem estrelas ainda muito maiores, no interior das bilhões de galáxias que constituem o Universo.
ROMILDO PÓVOA FARIA, da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp, é astrônomo-planetarista do Planetário de Campinas, professor e escritor, sendo autor - entre outros - dos livros Iniciação à Astronomia – Editora Ática e Fundamentos de Astronomia – Editora Papirus.