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Há 40 anos, o homem realizava o sonho de chegar à Lua
(parte 2)

Por Vitorio L.O. Zago.

A corrida espacial - o sonho torna-se realidade

Saturno V - Decolagem da Apollo 11Mas foi com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o início da Guerra Fria e da Corrida Espacial entre as então maiores potenciais mundiais, Estados Unidos (EUA – Estados Unidos da América) e União Soviética (URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), que a chance de ir de fato à Lua ganhou contornos reais. O desenvolvimento de foguetes militares de longo alcance durante a guerra, como os alemães V1 e V2 desenvolvidos pela equipe de Wernher von Braun (Wyrzysk, 1912 – Alexandria-EUA, 1977), foi decisivo para tatear a real possibilidade de ir além de nosso planeta...

Com o término da guerra cada uma das potências passou a se dedicar, além da corrida armamentista, também à tecnologia espacial. A Alemanha, derrotada na guerra, foi pilhada pelos vencedores e viu seus principais cientistas serem levados embora, como espólio de guerra.

O prussiano-polonês von Braun foi para os Estados Unidos depois do conflito e levou consigo cerca de cem cientistas da antiga Alemanha nazista. Ele liderou o programa espacial norte-americano depois da guerra, transformando-se num dos principais diretores da NASA (Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica ou simplesmente Agência Espacial Americana), criada em 1958. O mesmo aconteceu com os russos, que levaram também muitos desses cientistas alemães, que trabalhavam com von Braun em Peenemünde, o centro de desenvolvimento de foguetes alemães numa ilha na foz do rio Peene, no norte do país. 

A corrida espacial então começava e colocava frente a frente as duas maiores potências da época. De um lado, os Estados Unidos, capitalista, enriquecido por reconstruir a Europa pós-guerra e com um investimento maior, e de outro lado, a União Soviética, com um Estado fechado, totalitário e com uma economia planificada, erroneamente e propositalmente classificado como socialista. Os Estados Unidos já haviam passado por uma grande industrialização desde o final do século XIX. Já a União Soviética passara por um processo de industrialização muito recente, já que cerca de quarenta anos antes, a Rússia e os demais Estados que formariam posteriormente a URSS, apresentava uma sociedade rural com uma economia baseada numa agricultura pouco desenvolvida, rudimentar, sendo basicamente 90% da sua população analfabeta.

A Corrida Espacial inevitavelmente apresentou dois lados de uma mesma moeda, que caminharam concomitantemente ao longo das décadas. De um lado, a curiosidade e a engenhosidade humana, a serviço do progresso científico e social, do bem para a humanidade através da conquista e descoberta do espaço. Do outro, a utilização do conhecimento espacial para o desenvolvimento de tecnologia bélica, numa corrida armamentista sem fim que deixou o planeta mergulhado em grande tensão política. Ainda hoje colhemos frutos desse período chamado de Guerra Fria.

De 1957, quando a União Soviética lançou o primeiro satélite artificial em órbita da Terra, o Sputnik, até meados dos anos 1980, os dois blocos disputaram a hegemonia política e militar do planeta. E boa parte desse embate se deu no campo da tecnologia e da conquista espacial. Essa disputa foi também no campo ideológico. A própria meta estabelecida pelo presidente estadunidense John Kennedy (Brookline, 1917 – Dallas, 1963), em seu famoso discurso em 1961, de que em “menos de uma década os Estados Unidos enviariam homens à Lua e os trariam sãos e salvospara a Terra”, serviu a um propósito ideológico. Cada lado precisava mostrar-se melhor e mais poderoso para o mundo, numa autêntica campanha política e de confronto ideológico entre os dois blocos.

A corrida espacial mostrou ser um grande desafio para os norte-americanos. Já que os russos, que tradicionalmente eram muito bons em matemática, até a chegada dos norte-americanos à Lua em 1969, haviam sido primeiro em praticamente tudo na corrida espacial:

  • primeiro satélite artificial em órbita, o Sputnik, em 1957;
  • o primeiro ser vivo a ir para o espaço, a cadelinha chamada Crespinha, da raça siberiana Laika, a bordo da Sputnik II em 1957, que permaneceu 163 dias em órbita da Terra e orbitou nosso planeta 570 vezes – Laika, como ficou conhecida a cadelinha capturada nas ruas de Moscou, morreu cerca de 5 ou 7 horas após o lançamento e seus restos foram consumidos na reentrada na atmosfera já em 1958, juntamente com o resto da nave;
  • as primeiras sondas que orbitaram, pousaram e fotografaram a Lua, as Lunas, entre 1959 e 1966;
  • o primeiro humano a ir para o espaço, Yuri Gagarin (Klushino, 1934 – Kirzhach, 1968), a bordo da Vostok 1, em 1961, sendo dele a famosa frase “A Terra é azul...”;
  • a primeira mulher a ir ao espaço, Valentina Tereshkova (Maslennikovo, 1937), a bordo da Voskhod 1, em 1963;
  • além da primeira estação espacial a ser colocada em órbita da Terra, a Salyut, nesse caso, já no ano de 1971.

Americanos e russos percorreram um longo percurso até ter condições de viajar à Lua. A primeira vez que os americanos ficaram a frente dos soviéticos na corrida espacial foi em dezembro de 1968, quando a missão tripulada Apollo 8 conseguiu chegar até a Lua e orbitá-la. Foi a primeira vez que humanos saíram da órbita da Terra e estiveram em órbita da Lua. Para essa empreitada, os americanos arriscaram muito, pois realizaram a viagem sem ter concluído o módulo lunar, cujo motor poderia servir como motor reserva em caso de um acidente, cuidado esse que foi garantido em todas as outras missões posteriores. Assim, os americanos viajaram contando apenas com o módulo de comando. Felizmente a missão foi um sucesso, nada deu errado e os astronautas voltaram para casa sãos e salvos.

Os soviéticos poderiam ter chegado antes à Lua, mas as missões Zond, que nunca ocorreriam devido principalmente ao sucesso norte-americano, não se iniciaram no momento previsto pelos russos, devido aos inúmeros atrasos no programa espacial soviético. Assim, para essa façanha, os americanos tiveram mais competência e chegaram enfim antes e permaneceram deste então à frente na corrida espacial...

Sobre o programa espacial soviético pouco se sabe e muito se perdeu, devido à Guerra Fria, época em que muitas informações sobre a URSS eram censuradas ou distorcidas para nós. Os soviéticos, que iniciaram a corrida espacial com a vantagem de terem mísseis intercontinentais melhores que os dos americanos, também tinham como plano chegar à Lua em uma missão tripulada. Mas alguns fatores atrasaram o desenvolvimento de um foguete e nave adequados para essa missão.

Tripulação da Apollo 1Duas mortes inesperadas foram fundamentais para esse atraso no programa espacial russo. Em 1966 morre Sergei Korolev (Jitomir-Ucrânia, 1906 – Moscou, 1966),engenheiro de foguetes e que liderou o programa espacial soviético. Um ano depois, em 1967, morre o cosmonauta Vladimir Komarov (Moscou, 1927 – Oblast de Oremburgo, 1967) em um grave acidente a bordo da nave Soyuz 1, em 24 de abril de 1967. O acidente aconteceu nareentrada da nave. Os pará-quedas de freio não abriram e a nave foi destruída ao se chocar direto com o solo,matando o cosmonauta. Foi a primeira morte de um cosmonauta em missão. Esse acidente fez o programa espacial soviético retroceder em muitos aspectos.

O programa espacial americano, até a chegada do homem à Lua, foi constituído pelos projetos Mercury, Gemini e Apollo. Em 1959, um ano após a criação da NASA, teve início o projeto Mercury, que além de desenvolver tecnologia para vôos espaciais, também desenvolveu o conhecimento necessário para a permanência segura do homem no Espaço. Para o projeto foram escolhidos sete experientes e excelentes pilotos para serem os primeiros astronautas. Foram conhecidos como “Os 7”.

A história romanceada do recrutamento desses primeiros astronautas e do início do Projeto Mercury é contata na obra Os Eleitos, de 1979, do jornalista e escritor Tom Wolfe (Richmond, 1931), que depois virou filme homônimo sob a direção de Phillip Kaufman (Chicago, 1936). Entre esses sete astronautas estavam Alan Shepard (Derry, 1923 – Monterey, 1998) e John Glenn (Cambridge, 1921). Shepard foi o primeiro americano a ir para o espaço, ao realizar a bordo do Freedom 7, em 1961, um vôo sub-orbital de 15 minutos. E Glenn, foi o primeiro americano a orbitar o planeta, feito realizado a bordo do Friendship 7 no ano seguinte, em 1962.

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